domingo, 8 de julho de 2007

Quando não há lugar de arrependimento

A bíblia no livro de gênese nos conta a historia de Esaú e Jacó...
(...) certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo, e pediu-lhe: “Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto.”
Respondeu-lhe Jacó: “Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho”.
Disse Esaú: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?”.
(...) Assim Esaú desprezou o seu direito de folho mais velho. (Gênesis 25.29 a 34 NVI).

(...) como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a benção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou. Hebreus 13. 16, 17.


Temos a história de um acordo feito entre dois irmãos, um acordo incomum que mudou para sempre suas vidas. Esaú vendeu seu direito de filho mais velho (primogenitura), o direito de receber uma benção especial.
Mas que direito de primogenitura é esse?
De acordo com a Bíblia, o direito de primogenitura, em seu conjunto, inclui a porção dobrada de terra, a realeza e o sacerdócio. O sacerdócio conduz as pessoas a Deus e a realeza traz Deus às pessoas, constitui-se na porção especial do primogênito estar destinado a herdar todas as posses e privilégios do pai.
O preço?
Um ensopado de lentilhas.

Como a bíblia relata certo dia Esaú voltou do campo cansado e faminto. Jacó havia preparado um suculento cozido de lentilhas, e o irmão assim que sentiu o aroma daquele prato, ficou com água na boca. Com muita vontade de comer o guisado, pediu a Jacó que lhe oferecesse um prato, ou melhor, talvez tudo que tinha na panela. O irmão cozinheiro concordou, dizendo, no entanto que não seria de graça, mas em troca do direito de primogenitura.
Certamente Esaú não se atentou naquele momento para o valor que representava o seu direito de primogenitura e o menosprezou, (tenho por valor a importância de que determinada coisa representa). Esaú estava faminto e certamente muitos podem dizer que naquele momento mesmo inconscientemente ele agiu corretamente, pois como Maslow em sua teoria afirmou: primeiro buscamos a satisfação das necessidades básicas (entende-se por necessidade básica as condições necessárias para sobrevivência como comida, bebida etc.) e depois dessas necessidades plenamente satisfeitas passamos a buscar a satisfação de necessidade de segurança, social, auto-estima e auto-realização. Mas precisamos entender também que existe uma diferença entre necessidade e desejo e para mim não havia naquele momento plena necessidade de Esaú comer um prato de lentilhas (exclusivamente), mas a grande necessidade era de se alimentar, claro que quando estamos com fome e de acordo o prato que vemos o cheiro e a aparência do prato desperta ainda mais a vontade de comer, assim, Esaú teve desejo de comer aquele ensopado, mas se tivesse se dado ao trabalho de pensar um pouco, teria constatado que esse desejo podia esperar por algum tempo, não estragando suas possibilidades de conseguir o fundamental. Às vezes queremos, desejamos coisas contraditórias que entram em conflito com nossos valores morais, éticos e religiosos. É importante ser capaz de estabelecer prioridades e de impor certa hierarquia entre aquilo de que tenho desejo imediato e o que realmente preciso (minhas necessidades), em longo prazo. Isso quando não pensado pode trazer sobre nós muitas complicações. Complicações essas que podem ser iguais as de Esaú, ou seja, não encontrar lugar de arrependimento.

Justamente o meu objetivo neste texto é de enfatizar exatamente o fato de Esaú não achar lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, tenha buscado. Na grande verdade o choro de Esaú não foi sinal de arrependimento, mas um choro de remorso que é apenas uma tristeza em relação à escolha que ele tinha feito. Quando Esaú caiu na real que tinha desperdiçado uma oportunidade impar, chorou muito e embora tenha chorado não encontrou lugar de arrependimento, ou seja, não conseguiu se arrepender. A tristeza de Esaú foi uma conseqüência do seu pecado, não sendo uma tristeza segundo Deus, mas segundo o mundo, segundo as suas obras.
O apostolo Paulo fala dessas tristezas:

Por que a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. 2 CO 7.10

Há a tristeza autêntica, causada pelo pecado, que leva ao arrependimento. Consiste numa mudança de atitude, que nos leva a voltar-nos contra o pecado, e para Deus. Esse tipo de arrependimento leva à salvação. Para Paulo, o arrependimento do pecado e a fé em Cristo são de responsabilidades humanas quanto à salvação.
Em contraste, os que não se arrependem, se entristecem repetidamente devido às conseqüências do seu pecado; tal tristeza conduz à morte e à condenação eterna.
Bíblia de Estudo Pentecostal.

Para nós muitas vezes é normal termos determinadas atitudes que nos arrependemos depois, às vezes falamos coisas que machucam, entristecem, às vezes fazemos coisas que nos deixam surpresos, coisas que contrariam nosso senso moral e ético, coisas que desagradam a Deus, então dizemos: Eu me arrependo ou me arrependi de ter feito ou falado isso.
Mas minha pergunta é:
Até que ponto poderemos nos sentir arrependidos? Ou até que ponto não poderemos encontrar lugar de arrependimento, mesmo buscando com lagrimas?
Primeiro convém saber o que quer dizer a palavra arrependimento.
Arrependimento vem da palavra grega metanóia, geralmente traduzida como “mudança de mente”, mas que, de fato, significa algo mais profundo, como, por exemplo, expansão da consciência, capacidade de enxergar as coisas de outro prisma ou mesmo de enxergar as coisas de perspectiva mais completa. Metanóia é a experiência que nos possibilita dizer: “Mudei, já não penso mais assim, já não consigo ver as coisas desse jeito”, e, consequentemente, redefine nossos valores e prioridades. Metanóia faz nos mudar de atitude e de comportamento. Por essa razão, metanóia é arrependimento, mudança de rota, meia volta. Quem se arrepende, abandona uma direção e toma outro rumo. (Ed René Kivitz)
Dá para entender então, porque as palavras arrependimento e conversão estão sempre juntas, pois primeiro você se arrepende, ou seja, muda de mentalidade, para a enxergar as coisas de forma diferente, de uma perspectiva mais completa e então vem a conversão, ou seja, mudança de curso, ou você volta para traz , ou dá meia volta e segue outra direção.
Baseado nessa definição de arrependimento fica claro que Esaú não conseguiu encontrar lugar de arrependimento, pois ele não tinha como voltar atrás, e como citado acima arrependimento é mudar a rota, tomar outro rumo, e mesmo que ele desejasse naquele exato momento nunca ter feito a “troca” com seu irmão, mesmo assim não poderia voltar no tempo para mudar aquela situação, ou seja, já estava feito e não havia mais oportunidades para reverter tal situação.
Em outra tradução bíblica temos uma melhor referência para o significado da palavra arrependimento.
(...) como Esaú, que por uma única refeição vendeu os seus direitos de herança como filho mais velho. Como vocês sabem posteriormente, quando quis herdar a benção, foi rejeitado; e não teve como alterar a sua decisão, embora buscasse a benção com lágrimas. NVI

Então, arrependimento é uma mudança de mentalidade, de atitude e de decisão, Esaú talvez depois de certo tempo, depois de barriga cheia, teve a oportunidade de refletir sobre seu ato insano, mesmo que tivesse mudado sua mentalidade, não consegui mudar sua atitude e nem sua decisão o que lhe causou profundo remorso.

Lucas escreveu:
E, em seu nome, se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados em todas as nações, começando por Jerusalém. Lc. 24.47

Os discípulos somente deviam pregar o perdão dos pecados juntamente com o arrependimento do pecador. O pregador que anuncia a salvação como uma simples “crença” ou religião fácil, ou uma formal aceitação da salvação gratuita, sem nenhum compromisso voluntário do pecador de obedecer a Cristo e à sua Palavra, está pregando um falso evangelho. O verdadeiro arrependimento inclui o abandono do pecado, um elemento fundamental e imutável do verdadeiro evangelho neotestamentário.
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Reiteramos que arrependimento consiste em abandonar o que fazíamos ou fizemos e tentar fazer-lo de forma diferente. A bíblia no capitulo 6 e versículo 6 de Gênesis afirma que Deus se arrependeu de ter feito o homem, ou seja, decidiu voltar atrás, fazer de outra forma; e logo mais adiante no mesmo capitulo anuncia o dilúvio para Noé. Pensando nessa passagem ouso afirmar que foi nesse exato momento que nasceu um dos maiores projetos de Deus para a humanidade. O Trino Deus resolveu “refazer” sua criação (isto é arrependimento, mudar de rota, direção), dar um basta em tudo o que estava acontecendo com a humanidade, penso que a Trindade conversava sobre criar um novo homem, não nascido da carne e do sangue, mas nascido do espírito. Posso imaginar ouvir o Senhor Jesus Cristo dizer:
Eu irei até eles e servirei como exemplo para a humanidade e assim saberão que é possível se tornar um homem diferente, nascido de Deus.
Para que todos sejam um, Pai como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós (...) para que eles sejam um, assim como nós somo um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste. Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo. João 17:21-24 NVI
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Gloria a Deus!

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