sábado, 23 de março de 2013

Como é ser pai?

Recentemente estava indo trabalhar e reencontrei um amigo que não via há tempos. Estávamos no metrô e fomos conversando sobre diversos assuntos e muitas histórias do passado. Entre uma conversa e outra ele me disse que ele e sua esposa estavam planejando ter um filho, só que ainda não tinham certeza se era o que realmente queriam. Daí me perguntou como era a experiência de ser pai.
Bom... aí a conversa tomou outro rumo. Em milésimos de segundo fui absorvido por uma sensação diferente, afinal, falar da paternidade e das minhas duas "garotinhas" não era tão simples. Fiquei pensando no que dizer ao meu amigo e procurando palavras para lhe responder. Queria que ele soubesse que nada do que ele já ouviu ou aprendeu sobre filhos lhe seria suficiente, pois a paternidade lhe causaria uma "ferida" emocional tão exposta que ele ficaria vulnerável pra sempre. Pensei na possibilidade de avisá-lo que jamais lerá um jornal novamente sem se perguntar: "E se fosse meu filho?". Que todo desastre, incêndio ou todo tipo de acidente irão assombrá-lo. Que sempre que ver fotos de crianças famintas ou sofrendo, ele imaginará se há algo pior do que ver o próprio filho (a) morrer.
Achei que deveria avisá-lo que ele deveria usar cada gota de disciplina para manter a casa funcionando, só para garantir que seu filho ficasse bem. Gostaria que ele soubesse que jamais as suas decisões serão rotineiras. Que, para uma garotinha de 4 anos, a vontade de ir ao banheiro feminino num shopping passará a ser uma grande dificuldade quando se está a sós com ela.
Gostaria de advertir ao meu amigo para que ele entendesse que amará muito mais a sua esposa por conta do cuidado que ela terá com seu filhote. Acho que ele se apaixonará pela esposa novamente, mas por motivos que agora não acharia romântico. Queria descrever para o meu amigo a alegria de ver a criança aprender andar, a chutar uma bola, a chamá-lo de "PAPA". Queria apresentar-lhe a risada gostosa de um bebê, do abraço que ele receberá ao chegar em casa depois de um longo e estressante dia de trabalho. Eu queria que ele experimentasse essa alegria, que de tão autêntica, chega a doer...
O olhar inquiridor do meu amigo me fez perceber que meu olhos estavam banhados em lágrimas.
Você jamais se arrependerá disso - Disse-lhe finalmente.

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